Questionário

EDIÇÃO 278 – GABARITO – DIFICULDADES MAIS FREQUENTES NA GESTÃO DA QUALIDADE EM PARASITOLOGIA

A seguir são comentadas as questões para as quais foram recebidas mais dúvidas quando disponibilizadas para os usuários Controllab

 

Pergunta 01: A resposta é a opção 1. Na fase pré-analítica, é fundamental para a coleta, armazenamento e transporte da amostra biológica as instruções detalhadas para a coleta e armazenamento da amostra em domicilio. Estas instruções devem ser fornecidas ao paciente por escrito.

Pergunta 02: A resposta é a opção 2. Na opção 3, informa: “que o diagnóstico de ascaridíase pode ser realizado pela presença de ovos de Ascaris lumbricoides nas fezes” e realmente podem, mas a pergunta é como o laboratório orienta como coletar a amostra em domicilio, pelo paciente, quais critérios estabelece e como os controla, já que as amostras são coletadas fora do laboratório, como tempo da coleta e entrega, interferentes, medicações utilizadas e que interferem para  um exame com qualidade.

A opção 4, diz que “as amostras diarreicas não poderão ser aceitas se o laboratório não realiza o método direto ou método de coloração para a pesquisa de trofozoitas”, no entanto as amostras diarreicas devem ser aceitas sim para outros métodos dentro do laboratório.

Pergunta 06: A resposta é a opção 2. Os vermes eliminados devem ser transportados para o laboratório sempre na solução fisiológica, para a correta identificação. O formol, álcool e outros podem ser utilizados na anatomia patológica em cortes de tecido, mas não permitem a identificação microscópica sem os cortes e inclusões em parafina.

Pergunta 07: A resposta é a opção 4. As amostras utilizadas para o controle de qualidade interno não devem ser conhecidas pelos colaboradores, se houver o conhecimento de qual parasita tem naquele exame, o funcionário que fizer a microscopia irá “procurar” o parasita, e isto não tem valor para a avaliação de microscopistas.

Pergunta 08: A resposta é a opção 3. O erro humano dentro do laboratório cujos resultados exigem apenas pessoas treinadas, e não máquinas calibradas não podem ser devido à coleta fora dos padrões estabelecidos pelo laboratório; e nem devido a microscópios de má qualidade, com pouca resolução para a identificação das estruturas e parasitas que só são identificados com objetivas com óleo de imersão, mas devido pouco treino dos colaboradores e pouca frequência na reciclagem de informações.

Pergunta 09: A resposta é a opção 2. O coccídeo Cystoisospora tem o tamanho de 20 a 30um, é oval e não pode ser confundido com Cryptosporidium que é redondo e tem o tamanho de 4 a 6 um. Podem ser confundidos a Cyclospora cayetanensis e o Cryptosporidium spp, que possuem a mesma morfologia. São arredondados, álcool-acido resistentes e possuem os tamanhos de 8 a 10um e 4 a 6um respectivamente, assim com o micrômetro ocular, que faz mensura no próprio microscópio, propiciando o diagnóstico correto evitando que sejam confundidos. Segue uma bibliografia que pode ser consultada, sobre os parasitas, suas morfologias, ciclo evolutivo, diagnóstico laboratorial e que pode ser consultado: https://www.cdc.gov/dpdx/az.html

Pergunta 10: A resposta é a opção 4. As larvas filarioides de Strongyloides costumam aparecer mais no escarro e em material de lavado bronco-alveolar.

Pergunta 14: A resposta é a opção 4. O ‘pool‘ de amostras positivas pode ser usado para a validação de corantes, nos métodos que exigem coloração para a identificação de parasitas, além de validação de kits e rotinas, treinamentos de novos colaboradores e mesmo para estagiários, médicos-residentes, aprimorando-os.

Pergunta 15: A resposta é a opção 1. O ‘pool’ de amostras positivas contendo coccídeos é utilizada nos métodos que detectam estes protozoários. A opção 2 – Verificação de repetibilidade e reprodutibilidade do método de Rugai e cols, é falsa, pois este método detecta larvas e não coccídeos (Cryptosporidium , Cyclospora, Cystoisospora); A opção 3, que diz que os coccídeos, como Cryptosporidium e Isospora aparecem em pequena quantidade no sangue de pacientes imunodeprimidos é falsa, pois aparecem nas fezes. A opção 4, Validação para a coloração de Giemsa, é falsa, pois esta coloração não é adequada para os coccideos.

 

 

Elaboradora: Vera Lucia Pagliusi Castilho. Médica Patologista Clinica, Doutora em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica-chefe do Laboratório de Parasitologia Clínica da Divisão de Laboratório Central do Hospital das Clínicas da FMUSP. Médica Assistente do Laboratório Central da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Referências Bibliográficas:

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http://www.controllab.com.br/pdf/qualifique_40.pdf

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