O MD e PhD em Oncologia enumera 8 (oito) tópicos que precisam ser melhorados na luta contra o câncer, que tem seu dia marcado para 8 de abril.
Vamos a eles:
1- Baixa cobertura de rastreamento organizado
O Brasil ainda não possui um programa nacional estruturado de rastreamento, e funciona de forma oportunística.
No câncer de mama, a cobertura de mamografia está abaixo do ideal, especialmente no SUS. Apenas 35% das mulheres realizam mamografia periódica;
2. Diagnóstico tardio
Grande parte dos casos de câncer ainda é diagnosticada em estágios avançados. Isso ocorre por dificuldade no acesso, baixa educação em saúde e falhas no rastreamento. No câncer de mama, por exemplo, reduz as chances de tratamento conservador e cura;
3. Tempo excessivo entre diagnóstico e tratamento
Mesmo após o diagnóstico, há atrasos significativos para início do tratamento. Filas, burocracia e falta de integração impactam diretamente o prognóstico. Em câncer de mama, atrasos podem permitir progressão tumoral;
4. Desigualdade regional no acesso à saúde
O acesso ao diagnóstico e ao tratamento varia muito entre as regiões do país. Centros urbanos concentram recursos, enquanto áreas remotas têm limitações importantes. Isso gera diferenças claras nos desfechos oncológicos;
5. Acesso limitado às terapias inovadoras
Medicamentos modernos demoram para ser incorporados ao sistema público. Há limitação no acesso a testes moleculares e terapias-alvo. No câncer de mama, isso impacta diretamente subtipos como HER2+ e doença metastática;
6. Prevenção primária subutilizada
Fatores de risco modificáveis ainda são pouco abordados na prática populacional. Obesidade, sedentarismo e álcool contribuem para aumento da incidência. No câncer de mama, por exemplo, mudanças de estilo de vida podem reduzir significativamente o risco;
7. Falta de integração de dados e uso de tecnologia (IA)
O sistema de saúde ainda é fragmentado e pouco digitalizado. Falta integração entre exames, histórico clínico e acompanhamento populacional. Isso dificulta o rastreamento eficiente e o uso de IA para diagnóstico precoce;
8. Baixo acesso a testes genéticos para predisposição hereditária
O acesso a testes como BRCA1/BRCA2 ainda é limitado, especialmente no sistema público. Isso impede a identificação de pacientes de alto risco que poderiam se beneficiar de rastreamento intensivo. Além disso, reduz a indicação de cirurgias redutoras de risco, fundamentais para prevenir o desenvolvimento do câncer.
Wesley Pereira Andrade
MD, PhD; Mestre e Doutor em Oncologia; Mastologista e Cirurgião Oncologista; Médico Titular da Sociedade Brasileira de Mastologia; Médico Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica; Coordenador do Comitê de Oncologia Mamária da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica; Membro da Sociedade Americana de Cirurgia Oncológica | SSO – Society of Surgical Oncology e Membro da Sociedade Europeia de Cirurgia Oncológica | ESSO – European Society of Surgical Oncology
Fonte: Contato Comunicação