“Inovação e Acesso: como garantir um futuro com CAR T Cell?” foi assunto de debate promovido no seminário “Diagnósticos Inovadores para Terapias Avançadas – do Diagnóstico ao Acesso”, organizado pela Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), no dia 28 de abril, no Centro de Convenções Rebouças.
Entre os participantes, o Dr. Marcelo Calderaro, da área de Neurologia da FMUSP; Dr. João Batista Júnio da ANVISA; Dra. Luciene Scherer, pesquisadora da Casa dos Raros; Dra. Tereza Veloso, da SulAmérica; e a Dr. Nicole Mello, da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) e Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde.
Carlos Gouvêa reforçou o importante papel que o Diagnóstico desempenha nos últimos anos, dentro do conceito de “Medicina Personalizada”. “Ele é o melhor instrumento para encontrar a terapia mais efetiva e assertiva para um paciente com uma determinada mutação, monitorar o sucesso (ou não) da terapia e com isto permitir eventuais ajustes e, finalmente, determinar o desfecho. Com terapias cada vez mais avançadas, é fundamental valorizarmos adequadamente o papel do diagnóstico na jornada do paciente”, enfatizou.
A discussão do tema começou com o Dr. Marcelo Calderaro que teceu narrativas de casos clínicos e citou um exemplo de uma paciente de 59 anos com SPS (Síndrome de Stiff Person ou da Pessoa Rígida) com grande prejuízo na qualidade de vida e que, atualmente, submeteu-se à terapia CAR-T e obteve um aumento na mobilidade, “conseguiu caminhar até 6km ininterruptos”.
Segundo ele, a jornada da paciente começou não no momento do diagnóstico e sim, do não diagnóstico.
O médico falou sobre a enxaqueca, problema que aflige 31 milhões de pessoas no mundo,15% da população mundial. “Dessa população, 60% nem vai ao médico e apenas 10% tem o diagnóstico correto”, disse ele.
Discorreu também sobre aspectos da SPS que aflige 272 pessoas em 1 milhão. Segundo o especialista, a falta de conhecimento é a principal barreira. Calderaro que também é professor, questionou, “como ensinar awareness (o aqui e o agora), conceito de sequela, conhecimento de fluxo, acesso, etc? E convocou os presentes com uma reflexão: Pense na regra de 3: o que é mais provável, o que é mais grave e o que pode mudar a conduta?”.
A pesquisadora da Casa dos Raros, Dra. Luciene Scherer, falou sobre a jornada do paciente em doenças raras, oncológicas e de alta complexidade. “Temos que ter o compromisso de não pararmos de ajudar outras pessoas! Hoje não sabemos exatamente quanto custará um diagnóstico para tais enfermidades, mas custa caro”, disse ela.
Dra. Luciene elencou alguns problemas como atrasos em diagnóstico, exames repetidos, falta de integração entre os serviços, dificuldade no acesso, custos invisíveis, judicialização constante. “Hoje temos oportunidades em terapias avançadas. O diagnóstico define toda a jornada. É estratégia!”, exclamou a especialista que ainda comentou sobre a mudança da cultura de pensamento no que se refere ao valor.
De acordo com ela, é preciso mapear todo o processo do paciente em doenças raras, oncológicas e de alta complexidade com foco nas terapias avançadas. “A importância dos dados preliminares na jornada clínica do paciente, dos sintomas às consultas, diagnósticos e exames e todo um encaminhamento com diagnóstico contínuo. Quem mede a jornada transforma o sistema”, completou.
Em seguida foi a vez da Dra. Tereza Veloso, da SulAmérica que comentou sobra a melhoria no acesso ao paciente, com equipes multidisciplinares e parceria técnica. “A indústria conseguiu avanços significativos, no entanto é preciso uma discussão em torno de preços, uma redução de custos. Valores adequados para que o paciente necessita”, defendeu.
Por último, a Dra. Nicole Mello, da CONITEC e Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde falou sobre as incorporações de tecnologias pelo SUS e acesso a novos medicamentos no Brasil. Relatou o papel da Anvisa e a precificação e acesso aos pacientes, e do marco legal e os processos de avaliação da CONITEC, e toda a estrutura com 17 membros dos comitês, entre eles, a própria Anvisa, a ANS, o CFM, CONASS e secretarias.
Dra. Nicole comentou sobre o prazo de 180 dias para a incorporação de novas tecnologias, com possibilidade de prorrogação para mais 90 dias e 180 dias a mais para a disponibilização no SUS. Falou também do monitoramento da tecnologia em saúde, desempenho e reavaliação. Entre os desafios, a representante da CONITEC citou a alta incerteza da evidência clínica, os preços elevados, a pressão orçamentária, a judicialização, a estrutura complexa, as negociações, métricas e implantações e a carga administrativa elevada para o monitoramento. (Com informações da CBDL – 06.05.2025)