SMS lança Manual de Toxicologia Clínica na Faculdade de Saúde Pública da USP

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de São Paulo, por meio do Programa Municipal de Intoxicações Exógenas, da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), lançou em evento na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), na manhã desta quarta-feira (21), o Manual de Toxicologia Clínica: Orientações para Assistência e Vigilância das Intoxicações Agudas, organizado pela professora e mestre em Toxicologia Edna Maria Miello Hernandez, pelo médico especialista em prevenção e controle das intoxicações Roberto Moacyr Ribeiro Rodrigues, e pela médica coordenadora do Programa Municipal de Prevenção e Controle de Intoxicações da Prefeitura de São Paulo Themis Mizerkowski Torres.

Na abertura do evento, às 10h, no anfiteatro João Yunes, o secretário municipal de saúde, Wilson Modesto Pollara, destacou a importância do lançamento deste trabalho. “O que nós procuramos hoje são as melhores práticas. Todo mundo está procurando isso. O Ministério da Saúde fez um manual das melhores práticas, a Associação Médica Brasileira fez, nós (da SMS) queremos fazer. Então, acho que isso aqui é uma iniciativa importante e necessária e, por isso, quero cumprimentar toda a equipe. Isso aqui vai salvar vidas, porque muitas vezes o médico, por mais preparado que esteja, não tem esse tipo de informação na cabeça”, enfatizou.

Outro ponto destacado pelo secretário municipal da Saúde é o lançamento da versão digital do manual. “Qual a grande vantagem? É que ele pode ser atualizado com frequência e pode ser facilmente acessado. A importância de um trabalho como esse é proporcional ao que ele deu para ser feito. A qualidade e a praticidade são muito grandes deste manual”, ressaltou Pollara.

Para Cristina Shimabukuro, coordenadora da Covisa, o manual oferece contribuição significativa tanto no que refere a diagnósticos quanto no tratamento de intoxicações exógenas. “Hoje é um dia de muita alegria, pois simboliza a concretização de um trabalho de um grupo de pessoas muito comprometidas em salvar vidas, seja por acidente com produtos, seja por tentativa de suicídio, drogas de abuso, reação adversa a medicamentos, enfim, seja qual for a origem da intoxicação, esse manual fornece informações essenciais para diagnósticos das intoxicações e contribui para o tratamento de pacientes, informações que vieram de muito estudo, de muita prática e sobretudo de muita perseverança em um trabalho que ainda é muito pouco conhecido: as intoxicações”, afirmou.

Edna Hernandez, uma das coordenadoras do manual, considerou como “uma vitória” o resultado final apresentado no evento. “Foi um trabalho imenso, que demorou um tempo imenso, até mais do que esperávamos, mas já está disponível para vocês. É uma vitória para nós que tínhamos esse sonho de produzir esse material há muito, muito tempo. Acredito que vai ser bastante útil para a nossa rede, tanto para vigilância quanto para a assistência”, comemorou.



Mais informações

A intoxicação é um problema de Saúde Pública de importância global. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2012 foi estimado que 193.460 pessoas morreram em todo mundo devido a intoxicações não intencionais. Em torno de 1.000.000 pessoas morrem a cada ano devido ao suicídio. Nos Estados Unidos, em 2014, foram registrados, pelos Centros de Controle de Intoxicação, 2.165.142 atendimentos de casos de exposição humana.

No Brasil, embora a dimensão ainda não seja conhecida em sua plenitude, foram registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), entre 2010 a 2014, 376.506 casos suspeitos de intoxicação. Deste total, o Estado de São Paulo representou 24,5% (92.020 casos). E o município de São Paulo, nesse mesmo período, registrou 21.407 casos - 23% do total notificado no Estado e 5,7% do total, conferindo à capital paulista o título de maior notificador do país.

A notificação das Intoxicações Exógenas (IE) se tornou obrigatória a partir de 2011, com a publicação da portaria GM/ MS nº 104, que incluiu a intoxicação exógena na lista de agravos de notificação compulsória. Posteriormente, a portaria GM/MS nº 1271, de 6 de junho de 2014, definiu sua periodicidade de notificação como semanal. A mesma portaria definiu também que a tentativa de suicídio, contida no agravo da violência, é de notificação compulsória imediata e deve ser realizada pelo profissional de saúde ou responsável pelo serviço assistencial que prestar o primeiro atendimento ao paciente em até 24 horas desse atendimento, pelo meio mais rápido disponível.

A atualização médica nos temas de toxicologia é imprescindível para a atuação prática, principalmente no setor de atendimento de emergências, urgências e pronto atendimento no município de São Paulo, tornando este manual um instrumento muito útil para os profissionais de saúde.

A SMS conta com o Centro de Controle de Intoxicações (CCI-SP), que foi criado em 1971 e está instalado no Hospital Municipal Dr. Arthur Ribeiro de Saboya, no Jabaquara, na zona Sul. A equipe multiprofissional do CCI-SP, composta por médicos, enfermeiros e farmacêuticos, oferece orientações e informações sobre o diagnóstico e tratamento das intoxicações pelos telefones 5012-5311 e 0800-771-3733. O Hospital também oferece atendimento presencial a pacientes da área de referência da unidade.

Os objetivos principais deste manual são: fornecer informações essenciais para construir ou descartar o diagnóstico das intoxicações, contribuir para seu tratamento e registrar sua ocorrência no instrumento de notificação compulsória.

À medida que o conhecimento dos agentes tóxicos, suas características de toxicidade, mecanismos de ação e o quadro clínico que produzem passam a ser de domínio dos profissionais de saúde, a hipótese diagnóstica da intoxicação pode ser incluída na avaliação dos pacientes. Da mesma forma, o reconhecimento do agravo e o desenho de seu perfil epidemiológico facilitam o desenvolvimento das políticas de saúde necessárias para sua prevenção e controle.

No município de São Paulo, essas medidas são urgentes, uma vez que a intoxicação, principalmente por drogas de abuso, tem sido importante causa de óbito em adolescentes e adultos jovens.

Para a escolha dos temas que compõem este manual, nesta primeira edição, foi considerada principalmente a epidemiologia do agravo, no qual os agentes tóxicos mais frequentes foram contemplados. Foram incluídos também outros agentes, que embora não representem frequência expressiva em nosso meio, podem levar a quadros graves ou de difícil diagnóstico como: intoxicações por cianeto, opioides, digoxina, metanol, novas drogas de abuso, entre outras.