Nova tecnologia reduz chance de infecção de corrente sanguínea no sistema de saúde

Falta de protocolos bem definidos e falhas nos processos influenciam no aumento das infecções em ambiente hospitalar, alvo de novo programa da Anvisa; Design de pequeno dispositivo impede contato de microrganismos com corrente sanguínea



O novo dispositivo que, aplicado em cateteres, ajuda a barrar microrganismos associados a infecções hospitalares (Divulgação/ BD)

Uma novidade em tecnologia médica pode reduzir a chance de infecção de corrente sanguínea relacionada a cateter, um dos problemas mais frequentes no sistema de saúde e parte de recém-anunciado programa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Trata-se de um pequeno dispositivo, que, colocado na ponta do cateter, previne que microrganismos entrem em contato com a corrente sanguínea do paciente. Chamada de “conector”, a tecnologia inovadora acaba de ser lançada no Brasil.

 

“O cateter é uma via por onde os microrganismos podem acessar a corrente sanguínea do paciente. O conector MaxZero cria uma barreira que impede esse acesso”, explica Thais Silva, Coordenadora de Marketing Clínico da Becton Dickinson, empresa norte-americana responsável pela tecnologia. O produto foi apresentado ao mercado nacional em 12 de dezembro, em evento no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo.

 

Um estudo da Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, feito com cerca de 3 mil hospitais em 2013, mostrou que os hospitais que utilizavam a tecnologia MaxDesign tiveram menores índices de infecção comparado com hospitais que não usavam o conector.

 

Novo programa da Anvisa e compromissos para 2017

A Anvisa lançou, em novembro, o Programa Nacional de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), com metas específicas para serem atingidas até 2020. Em documento de apresentação do programa, a agência reconheceu as IRAS como “grave problema de saúde pública”, pois são os eventos adversos mais frequentes associados ao sistema de saúde. “Centenas de milhões de pacientes são afetados pelas IRAS a cada ano em todo o mundo, levando a uma mortalidade muito significativa e a enormes perdas financeiras para os sistemas de saúde”, afirmou a Anvisa no documento.

 

A infecção de corrente sanguínea em pacientes em uso de cateter venoso central é um tipo comum de IRAS. A taxa de mortalidade de infecções no sangue chega a 40%, e 70% dos casos estão ligados ao uso de cateter venoso central, de acordo com o SCOPE, estudo realizado com 2.563 pacientes de 16 hospitais brasileiros – entre eles, Santa Casa de Porto Alegre, Hospital Nove De Julho e Hospital Israelita Albert Einstein. Além disso, a Anvisa estima que 60% das Infecções Primárias de Corrente Sanguínea (IPCS) estejam relacionadas a algum dispositivo intravascular, como os cateteres (Orientações para Prevenção de Infecção Primária de Corrente Sanguínea, 2010).

 

A questão das infecções em ambientes de assistência à saúde tem gerado preocupação recentemente especialmente devido à incidência das “superbactérias”, ou resistência antimicrobiana. Em 2015, a Assembleia Mundial de Saúde aprovou um Plano de Ação Global em Resistência Microbiana, que prevê o comprometimento dos países-membro no desenvolvimento de planos de ação nacionais. Em maio de 2017, durante a 70º Assembleia Mundial da Saúde, o Brasil deverá apresentar, junto aos demais países signatários, o seu plano de combate ao problema.

 

O papel da tecnologia do MaxZero

A tecnologia antirrefluxo e design diferenciado do conector MaxZero permitem mais segurança para o paciente e também maior eficiência para os profissionais de saúde.

 

“O MaxZero reduz a oclusão do cateter e, por não apresentar fendas, não há lugar para o sangue ficar armazenado. A vedação dupla forma uma barreira contra os microrganismos”, explica Mariana Telles, Gerente de Produtos da BD. “Outro diferencial é que ele pode ser usado tanto em cateter periférico quando central, por sete dias e em todos os tipos de paciente, incluindo idosos e crianças”, pontua.

 

O tempo de permanência de até sete dias, comprovado clinicamente, e a necessidade de apenas três segundos para desinfecção do conector ajudam o profissional de saúde a proporcionar conforto e segurança ao paciente. A tecnologia também possibilita que unidades de saúde otimizem resultados, pois evita o retrabalho e previne o custo adicional da infecção. O conector ainda facilita a padronização dos estoques, pois atende às necessidades de todos os departamentos, sendo adequado também para pediatria e UTI neonatal (com maior precisão de entrega de dose em drogas de pequeno volume e tamanho e peso reduzidos), e para anestesia.

 

Formas de prevenir a contaminação de corrente sanguínea

A BD compartilha algumas das principais formas de contaminação e prevenção de infecções na corrente sanguínea:

 

Como ser contaminado - A infecção na corrente sanguínea pode ocorrer de diversas formas: falta de assepsia ou assepsia incorreta da pele do paciente, falta da higienização das mãos dos profissionais, fluido contaminado, contaminação na inserção do cateter, colonização de bactérias no cateter ou conector, entre outros.

 

Como não ser contaminado – Atitudes simples: higienização das mãos, tanto dos visitantes quanto dos médicos, escolha do local para a introdução do dispositivo, antissepsia com clorexidina alcóolica 0,5% e utilização de conectores em cateter venoso central (como a possibilitada pelo MaxZero). Implementação de protocolos, prevenção das falhas nos processos, tecnologia que ofereça melhorias nos indicadores, cultura de segurança e gerenciamento de erros são outras medidas que ajudam a evitar infecções. A conscientização dos pacientes também é importante, para que eles próprios possam observar criticamente o que acontece no ambiente hospitalar.

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Fonte: XCOM.