Edição 220 - O Diagnóstico Laboratorial das Infecções Causadas por Zika Vírus

Janini, M.

 

No início de 2015, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde registrou na região Nordeste do Brasil um aumento no número de pacientes que se queixavam de uma doença exantemática. A doença cursava com sinais e sintomas que incluíam exantema maculopapular, febre, dores de cabeça, conjuntivite e dores articulares. Este quadro clínico estava geralmente restrito a uma semana de duração e apresentava resolução espontânea. Em maio de 2015, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu um alerta sobre o primeiro caso confirmado de infecção pelo vírus zika no Brasil podendo estar a síndrome exantemática descrita acima relacionada a casos de infecção por zika vírus. Em 1º de fevereiro de 2016, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o zika vírus e suas infecções uma emergência de saúde pública de importância internacional. No Brasil, cerca de 30.000 casos de infecção por zika vírus já haviam sido notificados em 30 de janeiro de 2016. No final de fevereiro de 2016, a transmissão ativa do zika vírus já estava ocorrendo em 29 países e territórios das Américas. Acredita-se que a maioria das transmissões tenham ocorrido por meio da picada de mosquito e da mãe para o feto. A transmissão sexual também foi documentada.  O zika vírus é um vírus de genoma RNA de fita simples, de polaridade positiva que possui 10,7kb. O genoma viral codifica para uma única poliproteína que é clivada em três proteínas estruturais (C, prM / M, E) e sete proteínas não estruturais (NS1, NS2a, NS2B, NS3, NS4A, NS4B e NS5). O zika vírus é um membro da família Flaviviridae, gênero Flavivirus, e é transmitido entre os seres humanos por espécies de mosquitos Aedes aegypti, tais como A. aegypti, A. albopictus e A. africanus. O vírus foi isolado pela primeira vez em 1947 a partir de um macaco rhesus na floresta Zika na Uganda e é classificado por análise filogenética em dois genótipos, Africano e Asiático. Muitos estudos indicam uma possível associação entre a infecção pelo zika vírus em mulheres grávidas e aumento da incidência de microcefalia e de outras anormalidades congênitas. A detecção de zika vírus em tecido cerebral fetal e no fluido amniótico suporta a hipótese de que o vírus é transmitido de mãe para filho. Também foi demonstrado que o vírus infecta células progenitoras neuronais in vitro. Há também relatos de uma possível associação entre zika vírus e o aumento da incidência da Síndrome de Guillain-Barré.

 

Endereço para correspondência

Mario Janini

Laboratório Diagnósticos do Brasil

e-mail: mjanini@dbdiagnosticos.com.br

 

(Veja esse artigo na íntegra na revista LAES&HAES)