Edição 197- Viabilidade Leucocitária como Método para a Estimativa do Intervalo Post Mortem

Faro, C. P.

Azevedo, M. R. A.

Vaz, C. A. C.

 

Resumo

O exato momento da morte de um indivíduo, nos casos de necessidade de responder às questões cíveis e de responsabilidade criminal, é um tema que, ainda hoje, dificulta o trabalho de pesquisadores e peritos criminais. Atualmente, os métodos mais aplicados para a determinação do tempo post mortem são insuficientes e imprecisos. Por exemplo, a aferição do esfriamento corporal é uma das técnicas mais utilizadas. Entretanto, esse método só é válido quando o corpo permanece no local da morte e ainda não atingiu a temperatura ambiente. Também, a técnica baseada na estimulação de músculos orbiculares de cadáveres por eletrodos apresenta margem de erro de 3 horas, enquanto que as medições de densidade hepática podem ter erro de 1 hora. Ainda, as medições de sódio e potássio do humor vítreo, humor aquoso, do liquor e do soro sanguíneo são realizadas em alguns casos. Porém, há interferências da temperatura do ambiente e da causa da morte. No presente trabalho, a viabilidade leucocitária foi avaliada em sangue de cadáveres com 4 e 8 horas após a morte, com o objetivo de calcular o índice de morte leucocitária e sua relação com o período post mortem. Os resultados definiram dois grupos distintos: a) média de 237,5 leucócitos mortos por mm3 de sangue de cadáveres com 4 horas post mortem (índice diferencial de 14,8 a 52,3 com média de 31,62) e b) média de 1.607,5 leucócitos mortos por mm3 de sangue de cadáveres com 8 horas post mortem (índice diferencial de 0,78 a 9,83 com média de 3,16). Os resultados sugerem, fortemente, que este método pode ser de grande utilidade para peritos criminais e outros profissionais da área, tanto no auxílio às questões cíveis ligadas a interesses na sucessão de bens, como também para subsidiar o esclarecimento de responsabilidade criminal.

Palavras-Chave: Contagem Leucocitária, Tempo de Morte, Medicina Legal, Identificação Post Mortem.

 

Summary

The precise time of death of a person is a subject that, even these days, intrigues researchers and criminal experts. The presently most used methods to determine post mortem time are insufficient and inaccurate up against the need to answer civil and criminal responsibility questions. The measure of body cooling is one of the most employed techniques to identify when death has occurred. Nonetheless, this method is only valid when the body has not reached the room temperature and remains at the place where the death occurred, since relevant damages appear when the bodies are transported. Other techniques are being studied, such as the one based on the stimulation of dead bodies orbicular muscles with electrodes, which presents error of 3 hours; measurements of sodium and potassium from the vitreous and aqueous humor as well as from liquor and blood serum can likewise be carried out in some cases as far as there is a permanent observation of the existing interferences depending on the room temperature and on the cause of death. Our paper has evaluated leukocytes viability in the blood of dead bodies 4 and 8 hours after death, aiming the calculation of dead leukocytes rate and its relation to the post mortem period. The results were able to define two distinct groups with an average of 237.5 dead leukocytes per mm³ in 4 hours (differential index of 14.8 to 52.3 and average of 31.62) and 1,607.5 dead leukocytes per mm³ in 8 hours (differential index of 0.78 to 9.83 and average of 3.16). We have concluded that our research can be of great use to professional experts in this field, as it can provide larger information about the post mortem interval, helping to answer civil questions related either to survival or to legal succession, as well as to subsidize clarification to criminal responsibility.

Key Words: Leukocytes Count, Time Post Mortem, Legal Medicine, Post Mortem Identification.

 

Endereço para correspondência:

Profª. Celidéia  A. C. Vaz

Universidade de Santo Amaro (UNISA)

Rua Profº. Enéas de Siqueira Neto, 340

Jardim das Imbuias

04829-300 - São Paulo/SP

e-mail: cvaz@unisa.br

 

(Veja esse artigo na íntegra na revista LAES&HAES)