Edição 197- Qual o Impacto da Automação Pré-Analítica na Qualidade do Espécime Diagnóstico? Uma Avaliação Preliminar

Lima-Oliveira, G.

Guidi, G. C.

Lippi, G.

Salvagno, G. L.

Montagnana, M.

Volanski, W.

Varela, R. O.

Picheth, G.

 

Resumo

A fase pré-analítica é responsável por mais de 70% dos erros laboratoriais. A automação da fase pré-analítica centrifuga, remove as tampas primárias, prepara aliquotas, veda os tubos, além de preparar e colar etiquetas com código de barras em cada tubo e/ou aliquota. Neste estudo, foi verificado se o processamento automatizado dos espécimes diagnósticos sanguíneos no MPA (Modular Pre-Analytics EVO, Roche Diagnóstica) reduz o índice de hemólise quando comparado ao processamento manual tradicional. Amostras de indivíduos saudáveis (n=20) recrutados aleatoriamente foram processadas simultaneamente no sistema automático MPA (Roche) e de forma manual (centrifugação a 1200xg por 10 min, à temperatura ambiente, seguindo a norma do CLSI H18-A4). Todas as amostras foram ensaiadas na mesma corrida em analisador automático cobas® 6000 <c501> module (Roche). Os resultados do índice de hemólise foram comparados pelo teste t pareado. A significância estatística foi de P<0,001. Teoricamente, se confrontarmos os índices de hemólise apresentados nos informativos técnicos do fabricante com os encontrados neste estudo, o processamento manual pode estar induzindo os clínicos a uma interpretação errônea dos resultados de bilirrubina direta, lactato desidrogenase e aspartato aminotransferase. Futuros estudos com uma causuística maior são nescessários para verificar se a automação pré-analítica realmente garante a integridade da amostra. Nós sugerimos aos gestores da qualidade laboratorial realizar uma avaliação semelhante do processamento pré-analítico automatizado de outros fabricantes.

Palavras-Chave: Espécime Diagnóstico, Fase Pré-Analítica, Automação Laboratorial.

 

Summary

The pre-analytical phase is responsible for more than 70% of the laboratory errors. The MPA system centrifuges, aliquots patient samples, and automatically takes care of the removal and insertion of container stoppers, and barcode labelling. In this study we verified if the automated processing of diagnostic blood specimens in MPA (EVO Modular Pre-Analytics, Roche Diagnostics) reduces the hemolysis index when compared to traditional manual processing. Samples from healthy individuals (n=20) selected at random were processed simultaneously by MPA system (Roche) and by manually process (centrifugation at 1200xg for 10 min at room temperature followed the CLSI standard H18-A4). All samples were assayed in the same run on cobas® <c501> module 6000 (Roche). The results of the hemolysis index were compared by paired t test. Statistical significance was P<0.001. Theoretically, if we compare the hemolysis index interference reported by manufacturer’s data sheets with our results, the manual processing may be inducing the physicians to an erroneous interpretation of the results of direct bilirubin, lactate dehydrogenase and aspartate aminotransferase. Further studies with a greater casuistic are necessary to verify if the pre analytic automation really guarantee the integrity of the sample. We suggest that laboratory quality managers perform similar evaluation in other automated extra-analytical laboratory processing.

Key Words: Diagnostic Specimen, Pre-Analytical Phase, Laboratory Automation.

 

Endereço para correspondência:

Prof. MsC. Gabriel Lima-Oliveira

Av. Pref. Lothário Meissner, 632

Jardim Botânico

80210-170 - Curitiba/PR

e-mail: dr.g.lima.oliveira@gmail.com

 

(Veja esse artigo na íntegra na revista LAES&HAES)