Edição 197- Aplicações Diagnósticas da Inibina e do Hormônio Antimülleriano na Mulher

Maciel, G. A. R.

 

Resumo

Com a progressiva urbanização do mundo moderno e as mudanças culturais ocorridas nas últimas décadas, um crescente número de mulheres tem adiado os planos de maternidade em função de escolhas profissionais, o que tem gerado preocupações com o avançar da idade e o futuro reprodutivo. Atualmente, um dos métodos laboratoriais utilizados para avaliar a capacidade reprodutiva é a dosagem de inibina B, uma glicoproteína da família do fator de crescimento TGFβ produzida principalmente nos ovários e na placenta. Paralelamente à queda do número de folículos nos períodos da perimenopausa, e da menopausa há uma concomitante diminuição dos níveis séricos de inibina B. Entretanto, como esse exame pode sofrer variação pelo ciclo menstrual, o Hormônio Antimülleriano (AMH), que não sofre esse tipo de interferência, tem sido utilizado com maior frequência. Os níveis séricos desse peptídeo correlacionam-se com o declínio contínuo do pool de folículos ovarianos depletados com o passar da idade e parece ser capaz de detectar as primeiras modificações antes dos outros marcadores. Em suma, tanto a inibina quanto o AMH são exames importantes para avaliar a capacidade reprodutiva na mulher, com diferentes peculiaridades e indicações. Particularmente, o AMH parece refletir melhor o declínio do pool de folículos, podendo até ser considerado o melhor marcador da atividade ovariana e da transição menopausal.

Palavras-Chave: Inibina, Hormônio Antimülleriano, Reprodução Humana, Reserva Ovariana.

 

Summary

The urbanization of the modern world and the cultural changes that occurred in recent decades have led an increasing number of women to delay motherhood plans due to career choices. This fact has raised concerns about women’s advanced age and their reproductive future. Currently, one of the laboratory methods used to assess female reproductive capacity is inhibin B. There is a concomitant decrease in serum levels of inhibin B in parallel to the decreasing number of primordial follicles detected in perimenopause. However, inhibin B may undergo variations within the menstrual cycle, which may limit clinical interpretation. On the other hand, the antimullerian hormone (AMH), which does not suffer this kind of interference, has been used more frequently nowadays. Serum levels of this peptide correlate with the continued decline in the pool of ovarian follicles depleted over the age and seem to be able to early detect changes of ovarian aging. In addition, AMH also seems to correlate with ovarian response in assisted reproductive cycles. Both AMH and inhibin B are useful tests to assess ovarian reserve and reproductive capacity in women in different ages. Particularly, AMH seems to better reflect the declining pool of follicles, and may even be considered the best marker of ovarian activity and menopausal transition and assisted reproduction.

Key Words: Inhibin B, Anti-Mullerian Hormone, Ovarian Reserve, Human Reproduction.

 

Endereço para correspondência:

Dr. Gustavo Arantes Rosa Maciel

Rua General Valdomiro de Lima, 508,

04344-903 - São Paulo/SP

e-mail: gustavo.maciel@grupofleury.com.br

 

(Veja esse artigo na íntegra na revista LAES&HAES)