Edição 195- Gestão da Qualidade no Transporte de Espécime Diagnóstico: seu Laboratório Garante a Temperatura Adequada Durante o Transporte?

Lima-Oliveira G.

Salvagno, G. L.

Lippi G.

Montagnana M.

Guidi, G. C.

Picheth, G.

 

Resumo

Entre outras causas pré-analíticas que gera erro laboratorial, encontra-se o armazenamento e/ou transporte não-conforme. Condições inadequadas de temperatura (T) dos espécimes diagnósticos durante o transporte pode gerar resultados insatisfatórios. O objetivo deste estudo foi avaliar as condições de T das amostras transportadas em caixas de transporte. Métodos: para manter o intervalo de T correto (de 2ºC a 8ºC) quatro pacotes de gelo reutilizáveis de gel carbopol (2 x 200mL e 2 x 500mL) foram corretamente colocado dentro da caixa de transporte Coleman®. Além disso, um medidor/gravador de temperatura calibrado (Trix-8 Recorder Temperature®, LogTag recorder, Adarve®, Brasil) foi inserido, a fim de verificar a estabilidade da T. O registro da T foi feito a cada 5 min durante 8 horas. A caixa foi levada de carro de uma instituição privada para o nosso laboratório em conjunto com outras caixas de transporte da rotina. As medidas de T foram analisadas com o LogTag Analyser®. Resultados: 0-30 min T na caixa aberta antes da introdução de gelo, a caixa é adequada para receber as amostras depois de cerca de ½ hora. A T se mantém estável apenas por 90 min (de 30 a 120 min). Além disso, durante cerca de 64% do tempo de transporte (125-450 min) a estabilidade da T foi insatisfatória. Vale ressaltar que 20 min depois da chegada ao destino, nas condições de T ambiente controlada, a caixa voltou para a T dentro da faixa aceitável (de 2ºC a 8ºC).Conclusão: este estudo mostrou que as caixas comumente utilizadas para o transporte do espécime diagnóstico não garantem estabilidade da T, provavelmente devido à estrutura intrínseca da caixa que é facilmente influenciada pela T externa. Obviamente, cada gestor da qualidade deve avaliar o seu processo de forma crítica, para garantir a integridade do espécime diagnóstico e eliminar esta nova fonte de erro laboratorial.

Palavras-Chave: Espécime Diagnóstico, Transporte Biológico, Temperatura, Fase Pré-Analítica, Gestão da Qualidade.

 

Summary

Among the pre-analytical causes making laboratory results unreliable, poor quality storage and/or transportation are cited. Inadequate temperature (T) conditions of specimens during transportation may engender unsatisfactory results. Aim of this investigation was to evaluate T conditions of samples carried in transport boxes. Methods: To maintain the correct T range (from 2ºC to 8ºC) four ice reusable dry gel packs with carbopol gel inside (2 x 200mL and 2 x 500mL) were correctly placed inside the Coleman® transport box. Moreover a calibrated T recorder (Trix-8 Temperature Recorder®, LogTag recorders, Adarve®, Brazil) was inserted in order to verify T stability. T registration was done every 5 min during 8 hours. The box was carried by car from a private facility to our laboratory together with other sample containing boxes. T data were analyzed with LogTag Analyser®. Results: 0 - 30 min T in open box before ice introduction; the box is suited to receive the samples after about ½ hour. T maintains stable only for 90 min (from 30 to 120 min). Moreover during approximately 64% of the transportation time (from 125 to 450 min) T stability was unsatisfactory. It is noteworthy that 20 min after arrival to destination and regaining conditions of controlled room T, the box T came back within range (from 2ºC to 8ºC). Conclusion: this study showed that usual boxes for sample transportation do not warrant T stability probably due to the intrinsic box structure which is easily influenced by external T. Obviously, every manager must evaluate the quality of the process critically, to ensure the integrity of the specimen diagnosis and eliminate this new source of laboratory error.

Key Words: Diagnostic Specimen, Biologic Transport, Temperature, Pre Analytical Phase, Quality Management.

 

Endereço para correspondência:

Prof. MsC. Gabriel Lima-Oliveira

Av. Pref. Lothário Meissner, 632 - Jardim Botânico

80210-170 - Curitiba/PR

e-mail: dr.g.lima.oliveira@gmail.com

 

(Veja esse artigo na íntegra na revista LAES&HAES)