Edição 216 - Eletroforese Capilar na Dosagem da Hemoglobina Glicada para o Diagnóstico e Controle do Diabetes mellitus

Sumita, N. M.

Ferraz Junior, E. M.

 

Resumo

No Diabetes mellitus não controlado, os níveis glicêmicos persistentemente elevados induzem danos ao organismo, sendo que o descontrole prolongado resulta em complicações, incluindo danos a diversos tecidos e falência de vários órgãos. A hemoglobina glicada (A1C) tem se firmado como um exame vital para o acompanhamento do paciente diabético, após ter sido validada pelos dois estudos clínicos sobre a avaliação do impacto do rígido controle glicêmico sobre incidência e progressão das complicações do diabetes: Diabetes Control and Complications Trial - DCCT (1993) e United Kingdom Prospective Diabetes Study - UKPDS (1998). A partir de 2010, a American Diabetes Association (ADA) estabeleceu níveis de hemoglobina glicada para o diagnóstico do Diabetes mellitus. Os testes de A1C devem ser realizados, pelo menos, duas vezes ao ano por todos os pacientes portadores de Diabetes mellitus. Quando os resultados não forem adequados ou se forem realizadas alterações no esquema terapêutico, a dosagem deve ser realizada a cada três meses. A dosagem está indicada tanto para os portadores de diabetes tipo 1 quanto para o tipo 2. Doenças que alteram a sobrevida das hemácias, como anemia hemolítica e hemorragia reduzem a vida média das hemácias e podem resultar valores falsamente baixos de A1C, enquanto as anemias por carência de ferro, de vitamina B12 ou de folato, que aumentam a vida média das hemácias, resultam em valores falsamente elevados. Na dependência da metodologia utilizada, outras condições clínicas podem interferir no resultado de A1C, como hipertrigliceridemia, hiperbilirrubinemia, uremia, alcoolismo crônico, uso crônico de opiáceos ou de salicilatos. Os métodos laboratoriais disponíveis no mercado para análise de hemoglobina glicada na rotina laboratorial são: imunoensaio imunoturbidimétrico, cromatografia líquida de alto desempenho (HPLC) por troca iônica, cromatografia de afinidade utilizando derivados do ácido borônico, método enzimático e eletroforese. É importante que os laboratórios clínicos utilizem os métodos certificados pelo National Glycohaemoglobin Standardization Program (NGSP) dos Estados Unidos. Dentre as metodologias atualmente disponíveis vem se destacando a eletroforese capilar em razão da elevada exatidão e precisão, por ser totalmente automatizada, além de possuir certificação pelo NGSP.

Palavras-Chave: Diabetes mellitus, Hemoglobina Glicada, Métodos, Eletroforese Capilar.

 

Summary

The level of blood glucose persistently elevated  are harmful to the body and the prolonged out of control situation results in complications, including damage in several tissues, loss of normal function and failure of several organs. The glycated hemoglobin (A1C) level in blood is a measure of long-term glycemic status in patients with diabetes mellitus. This analyte was validated by the two major clinical studies about the impact assessment of the rigid glycemic control on the incidence and progression of complications of diabetes: Diabetes Control and Complications Trial - DCCT (1993) and United Kingdom Prospective Diabetes Study - UKPDS (1998). Since 2010, the American Diabetes Association (ADA) has established the levels of glycated hemoglobin for the diagnosis of diabetes mellitus. The A1C measurement should be performed at least twice a year for all patients with diabetes mellitus. However, when the results are not adequate or if amendments are made in the therapeutic scheme, the dosage should be performed every three months. The dosage is indicated both for individuals with type 1 or type 2 diabetes. Diseases that affect the survival of red blood cells, such as haemolytic anaemia and bleeding reduce the half life of red blood cells resulting falsely low A1C values, while anaemia by iron, vitamin B12 or folate deficiencies, which increase the half life of red blood cells, may result false elevated A1C values. In the dependence on the methodology applied, other medical conditions can interfere with results of A1C, such as hypertriglyceridemia, hyperbilirubinemia, uraemia, chronic alcoholism and chronic use of opiates or salicylates. Current routine laboratory methods for determination of the A1C level include immunoassay, ion-exchange high performance liquid chromatography (HPLC), boronate affinity chromatography, enzymatic method and electrophoresis. It is recommended the use of DCCT traceable method, certified by the National Glycohaemoglobin Standardization Program (NGSP). Among the currently available methodologies, the capillary electrophoresis has been highlighted due to the high accuracy and precision, fully automated and certified by the NGSP.

Key Words: Diabetes mellitus, Glycated Haemoglobin, Methods, Capillary Electrophoresis.

 

Endereço para correspondência

Dr. Nairo M. Sumita

e-mail: nairo.sumita@hc.fm.usp.br

Dr. Edson Martins Ferraz Junior

e-mail: eferraz@sebia.com.br     

 

(Veja esse artigo na íntegra na revista LAES&HAES)