Edição 188 - As Superbactérias: o que Está Verdadeiramente Acontecendo?

 

Salvino, C. R.

 

Recentemente, em diversos jornais de grande circulação, notícias sobre infecções graves pelas chamadas “superbactérias” foram publicadas, inclusive com diversas mortes causadas por elas. Desde então, certo pânico toma conta da população, principalmente dos que têm entes queridos internados em hospitais esperando por uma cirurgia, tratamento ou mesmo observação.

Mas quem afinal são essas “superbactérias”? Quem são esses novos vilões?

Primeiramente, gostaria de dizer que não são nem superbactérias, nem novos e muito menos vilões. São seres vivos, e seres vivos lutam por sua existência e sobrevivência para a perpetuação da espécie. Assim ocorre desde o princípio.

Em 1683, um holandês chamado Antonie van Leeuwenhoek, utilizando um microscópio descreve pela primeira vez o que possivelmente seriam bactérias. A observação era de um esfregaço feito do resíduo de seus dentes, onde descreveu formas bacilares. De água parada e outras amostras, descreveu diversas formas conhecidas pelos atuais microbiologistas: bacilos, cocos, espiroquetas, flagelados de vida livre, etc. Eram os “animalículos”.

Já a palavra “bactéria” foi introduzida em 1828 pelo microbiologista alemão Christian Gottfried Ehremberg e é derivada da palavra grega βακτηριον, que significa “bastões pequenos ou bastonetes”, pois era o que ele havia observado naquele momento.

De lá para cá os grandes gênios da microbiologia vieram e nos encheram de informações com suas brilhantes pesquisas. Dentre eles, podemos destacar Louis Pasteur (inúmeros prêmios e homenagens) e Heinrich Hermann Robert Koch (Nobel de Medicina em 1905), que muito contribuíram nas pesquisas e desenvolvimento de meios de cultura e identificação das bactérias e Alexander Fleming (Nobel de Medicina em 1945 juntamente com Florey e Chain), descobridor da penicilina, primeiro antibiótico a ser utilizado com verdadeiro sucesso.

 

Do imunologista belga Jules Bordet vem a nossa mensagem final:

“A virulência e a imunidade são coisas correlatas e recíprocas: a virulência do microrganismo sendo a sua imunidade em face do hospedeiro; a imunidade do hospedeiro sendo sua virulência em face do microrganismo. Compreender o triunfo de um dos adversários é também compreender a sua derrota”.

(Jules Bordet – 1870-1961).

 

Contato:

Dr. Caio Roberto Salvino

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(Veja esse artigo na íntegra na revista LAES&HAES)